Após mais de uma década de silêncio, a franquia retorna com força total em um capítulo que une tradição e inovação.

Por Gustavo Rodrigues

Com uma jogabilidade ainda mais desafiadora, que combina combos precisos, movimentos especiais e novas ferramentas ninja, a icônica franquia Ninja Gaiden retornou com força total em Ninja Gaiden 4. Neste review, você entenderá como este novo título da saga equilibrou a tradição com a inovação, oferecendo tanto aos fãs de longa data quanto aos novatos uma experiência repleta de adrenalina, ação e desafios interessantes.

Ninja Gaiden 4 foi lançado oficialmente no dia 21 de outubro de 2025 para Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC. O título chegou simultaneamente ao catálogo do Xbox Game Pass, através da parceria com a Xbox Game Studios, permitindo que os assinantes do serviço da Microsoft tivessem acesso ao jogo já no dia do lançamento.

Após mais de 13 anos em silêncio, a Team Ninja finalmente atendeu aos pedidos dos fãs e trouxe de volta uma das franquias mais icônicas dos games do gênero Hack and Slash. Desenvolvido em parceria com a Platinum Games e publicado pela Xbox Game Studios, Ninja Gaiden 4 surge como a continuação da série desde seu último capítulo, Ninja Gaiden 3 — lançado em março de 2012. 

Entre as cenas apresentadas nos trailers, foi destacado uma grande novidade: pela primeira vez, Ryu Hayabusa, o lendário ninja que guiou a franquia por décadas como o protagonista central, cedeu espaço a um novo herói, e para entendermos melhor essa nova fase, vamos abordar sobre o conceito inicial da história do game.

(Alerta: abaixo terão spoilers da história e alguns elementos da gameplay)

Yakumo e a ameaça do Dragão das Trevas

Yakumo em direção ao caos de Tóquio/reprodução/Internet

No princípio da trama, somos apresentados a Yakumo, o novo protagonista da franquia. Ele é um ninja do Clã do Corvo, uma ramificação do lendário Clã Hayabusa, e um verdadeiro prodígio entre os seus. Extremamente habilidoso em combate, ele também é letal com diversos tipos de armas e quase incapaz de demonstrar emoções no calor da batalha. 

Acompanhado por seu grupo — Umi, Misaki e Tyran — Yakumo recebeu a missão de raptar e assassinar a sacerdotisa do Dragão das Trevas, Seori, mantida em cativeiro no quartel-general militar da Ordem do Dragão Divino (O.D.D.), localizado na cidade de Tóquio, no Japão.

No entanto, após encontrá-la, Seori revela que precisará da ajuda do protagonista para enfrentar o Dragão das Trevas, uma criatura mitológica e a principal ameaça deste novo capítulo da saga Ninja Gaiden. Diante dessa revelação, Yakumo decidiu se aliar à sacerdotisa em uma longa jornada para quebrar os quatro selos que contêm as partes da alma da besta demoníaca, e assim, purificar o Dragão das Trevas para salvar os cidadãos da capital japonesa do grande mal que a consome, além de cumprir uma antiga profecia que envolve o ninja do Clã do Corvo, o Dragão das Trevas e Seori.

Detalhando mais sobre os companheiros de Yakumo, é importante ressaltar dois deles que são importantes para a história e a gameplay: 

Umi: Ela é uma jovem ninja que trabalha como especialista de operações e comunicações do Clã do Corvo, além de ser a criadora do Terminal DarkNest. Neste sistema, Yakumo pode comprar itens e acessar o banco de missões, que se completadas, podem gerar recompensas como ninja coins e itens especiais. 

Tyran: Ele é o mestre marcial do Clã do Corvo, e o professor do prodígio Yakumo. Tyran poderá auxiliar o jogador no aprendizado de novas habilidades de combate – que podem ser compradas com Ninja Coins – junto das práticas na sala de treinamento.

Ambos têm suas próprias linhas de diálogos em cada capítulo, dando um pouco mais de contexto e suas impressões do desenrolar da história para que o jogador tenha uma experiência mais completa em relação a trama.  

Após compreendermos a proposta narrativa de Ninja Gaiden 4, fica claro que a história atua como o ponto de partida para a intensidade que o jogo entrega em sua essência. A construção dos eventos e o ritmo das missões contribuem diretamente para o que vem a seguir: a experiência prática do combate. É nesse momento que o título mostra todo o seu potencial, unindo a trama e a brutalidade das batalhas — elementos que sempre definiram a franquia. Com isso, vamos para a parte mais crucial da análise: a jogabilidade.

Velocidade, técnica e caos: o ritmo de Ninja Gaiden 4

Yakumo e Ryu Hayabusa se enfrentando/reprodução/Internet

Quanto ao fator gameplay, podemos afirmar sem sombra de dúvidas que esse é o ponto alto de todo o jogo, e para abordarmos de forma técnica, precisamos dividi-la em três partes distintas:

Jogabilidade no geral:

Para começarmos, a base do sistema é inicialmente centrada em quatro movimentos:

Ataque: O comando convencional para golpear os inimigos;

Bloqueio Pleno: Uma defesa completa capaz de conter qualquer tipo de investida;

Miragem: Uma esquiva precisa que permite escapar de situações perigosas e ataques poderosos;

Frenesi: O movimento especial que libera todo o potencial do personagem, permitindo o uso de técnicas devastadoras.

Com essa base sólida, a gameplay atinge um novo patamar, transformando os combos em verdadeiras obras de arte. Para os pro-players, isso significa um prato cheio de possibilidades — um sistema desafiador, mas ao mesmo tempo recompensador, que não exige domínio imediato, apenas precisão nos reflexos para esquivar ou contra-atacar os inimigos

Movimentos de Yakumo:

Quanto ao moveset do novo protagonista, Yakumo tem como seu diferencial o uso da técnica milenar do Clã do Corvo, o ninjutsu do Laço Sanguíneo. Ela consiste em banhar os equipamentos do personagem com o sangue de seus inimigos, tornando-as ainda mais potentes, permitindo combos criativos e aumentando significativamente o dano contra inimigos mais desafiadores.

Sobre suas armas, Yakumo começa com suas lâminas duplas (Takeminakata) e ao decorrer do jogo, ele consegue a rapieira espiral (Yatousen); o bastão (Magatsuhi) e a caixa de armas (Kage-Hiruko), além dos projéteis como Kunais e Shurikens.

Movimentos de Ryu Hayabusa:

Ryu Hayabusa tem em seu diferencial o Controle do Ki, uma técnica que possibilita canalizar energia para executar ninpous poderosos já vistos anteriormente em Ninja Gaiden 2, desde a capacidade de sumonar águias de fogo, criar vendavais cortantes e o lançamento de uma grande esfera de energia, reforçando a capacidade e o talento que o Super Ninja do clã Hayabusa tem.

Quanto ao seu arsenal, Ryu conta com sua lendária e fiel companheira, a Espada do Dragão. Junto dela, é possível trabalhar com o lançamento de Shurikens para adicionar mais possibilidades de combos do personagem.  

Além da jogabilidade voltada para o combate, Ninja Gaiden 4 também apresentou um acréscimo divertido ao gameplay: as ferramentas ninjas de Yakumo. Logo no início da jornada, o jovem prodígio do Clã do Corvo recebe o Arpéu Frigânio, que lhe permite se prender a paredes e alcançar locais elevados. Mais adiante, ele adquire o Planador Odonato, capaz de fazê-lo planar pelos cenários com o auxílio de poderosas correntes de vento. Por fim, há a Prancha Gerrídea, um equipamento projetado para atravessar águas rasas e profundas.

Com esses equipamentos, a gameplay ficou bem mais intensa e variada, eles que podem ser usados contra os inimigos, ou para atravessar os obstáculos do cenários em que Yakumo não alcançaria normalmente. 

Dentre os inimigos presentes na campanha, há três tipos principais, cada um com características e estilos de combate bem distintos, além de algumas variantes que surgem conforme a progressão da campanha:

Humanos: 

Exército da O.D.D. (Soldados, Oficiais, Infantaria pesada e Golias)

Youmas (monstros e guerreiros sobrenaturais): 

Tengu, Grande Tengu, Enenra, Burabura, Oni, Tsukumoko (Chaleira) Tsukumoko (Peixe) e Foice Blindada. 

Demônios (criaturas que habitam o submundo):

Draugr: Corpo a Corpo, Draugr: Longo Alcance, Foltogro, Malherc, Sombra Fúlgida, Ilcanis, Ilcanis-Mor, Van Gelf e Eltus

Cada um desses inimigos tem suas particularidades e estratégias dentro do combate, gerando mais dificuldade para o jogador, o que é uma grata surpresa para aqueles que gostam de mais dinamismo no combate.

Após analisarmos a jogabilidade, ficou evidente que Ninja Gaiden 4 não apenas resgata a dinâmica característica da série, como também refinou sua identidade em embates mais precisos e responsivos. Essa atenção aos detalhes na movimentação e nas mecânicas das lutas refletiu diretamente no aspecto visual do jogo, e dito isso, o próximo ponto essencial a se destacar é justamente o seu design visual — um dos elementos que mais contribuem para a imersão e a intensidade da experiência, juntamente de sua ótima trilha sonora

Beleza letal: os impactos visuais e musicais de Ninja Gaiden

Yakumo em uma das cutscene de Ninja Gaiden 4/reprodução/Internet

Visualmente, o game mostrou qualidade no quesito gráfico, trabalhando muito bem nos detalhes — desde as partículas e cores vibrantes até as fases ricas em variedade e ambientação. O título ainda conta com um modo de desempenho que alcança até 120 fps nos consoles mais potentes, aproveitando ao máximo o poder do hardware para oferecer uma experiência fluida e intensa durante os combates.

A atmosfera da cidade de Tóquio foi bem construída. Além do cenário estar parcialmente destruído devido a aparição do Dragão das Trevas, ela está envolta de uma “chuva” interminável que deixa a metrópole japonesa no clima da noite, sendo importante para trazer um ar sombrio e hostil, com cara de “poucos amigos”. 

Ainda em Tóquio, o Distrito Inundado abriga as redes de esgoto e algumas baladas subterrâneas, que se tornam o palco da luta contra criaturas aquáticas. Já na região central, destaca-se o gigantesco prédio da Mandíbula do Dragão – sede da força militar da Ordem do Dragão Divino – com seu visual High-Tech. Além disso, o jogo inclui outros ambientes marcantes, como a densa floresta do Sacrário Fuuhaku, que apresenta mudanças climáticas constantes e ventanias intensas.

Em relação aos modelos, o trabalho visual é consistente. O design das roupas dos personagens jogáveis e dos inimigos encontrados na campanha foi bem elaborado, especialmente os chefes, que exibem um visual imponente, enquanto alguns oponentes menores acabam passando despercebidos.

Yakumo e Ryu Hayabusa ganham destaque por suas animações fluidas e pelo nível de polimento nos movimentos — cada golpe, esquiva e defesa é acompanhado por efeitos de partículas e iluminação que reforçam a intensidade do combate.

Já no âmbito musical, a trilha sonora é um dos grandes destaques do jogo. Misturando o rock frenético característico da série com orquestras intensas, passagens mais suaves e até batidas eletrônicas, a composição sonora eleva a experiência de gameplay e dá ainda mais peso aos momentos marcantes da trama, especialmente nas lutas contra os chefes. 

Agora que citamos todos os pontos do quesito gráfico e musical, o NeoCult trará suas impressões finais sobre como o retorno da franquia Ninja Gaiden conseguiu equilibrar tradição e inovação, mostrando que ainda há espaço para experiências desafiadoras e intensas no cenário atual dos games.

Entre lâminas e sombras: impressões finais

Ryu olhando para Yakumo durante uma cutscene nos momentos finais do jogo/reprodução/Internet

Ninja Gaiden 4 realmente foi um ponto positivo para essa saga que estava adormecida há muitos anos, e podemos afirmar que foi um dos melhores games do gênero Hack and Slash dos últimos tempos. Sua jogabilidade, do início ao fim, é bem construída e repleta de detalhes. O uso das novas ferramentas ninjas — como o Arpéu, o Planador e a Prancha — amplia as possibilidades de movimentação e estratégia durante as batalhas. As lutas contra inimigos comuns também impressionam pela variedade e intensidade, enquanto os chefes entregam confrontos verdadeiramente desafiadores e memoráveis. Felizmente, o game conseguiu resgatar o espírito antigo da franquia e de forma totalmente repaginada.

Apesar dos muitos acertos, é importante destacar que o jogo está longe da perfeição. A história carece de elementos realmente cativantes, com exceção da introdução do Clã do Corvo e de seu novo protagonista, Yakumo. O prodígio tem momentos de destaque, cumprindo uma missão praticamente impossível e, ao final, superando até mesmo Ryu Hayabusa. No entanto, seu passado é pouco explorado, e a tentativa de torná-lo um ninja tão “frio e calculista” quanto Hayabusa acaba ofuscando sua identidade. O resultado é um herói destemido, mas que soa genérico diante da grandiosidade do lendário personagem da saga.

Além da história, alguns pontos na gameplay deixaram a desejar, como os frequentes posicionamentos erráticos da câmera na hora dos combates e a dificuldade de locomoção com a prancha em córregos mais estreitos. No mais, a gameplay funcionou muito bem, e a não existência de bugs dos mais variados tipos é um ponto que podemos também elogiar à desenvolvedora, que conseguiu entregar um jogo polido.

Por fim, a história de Ninja Gaiden 4 pode não ser o ponto mais impactante do jogo, mas é evidente que o game se mostra extremamente divertido e desafiador. Ele consegue oferecer batalhas intensas contra chefes e desafios dignos, proporcionando bastante adrenalina. Para os fãs de longa data da franquia, é um verdadeiro deleite, e você se sentirá bem representado. Mas, se você for novo na franquia e nunca jogou nenhum Ninja Gaiden, essa é a sua chance de testar suas habilidades e se divertir com um verdadeiro e clássico Hack and Slash!