A maior experiência gamer da américa latina encerrou sua edição de 2025 deixando um gosto amargo entre a comunidade geek

Por Gustavo Rodrigues e Davi Landim

Não é novidade que a Brasil Game Show – mais conhecida como BGS – possui um apelo enorme entre a comunidade geek. Todos os anos, desde 2009, diversas empresas de videogame e tecnologia trazem suas novidades para o Brasil, realizando testes, dinâmicas e distribuindo brindes para o público que passa por seus estandes ao longo do dia. 

Em 2025 não foi diferente, mais de 90 expositores estavam disponíveis para visitação nos quatro dias de convenção, fora os espaços da praça de alimentação que preenchiam os cantos do Distrito Anhembi que, inclusive, abriu suas portas pela primeira vez para a BGS; até o ano passado, o espaço que sediava a Brasil Game Show era o Expo Center Norte.

O NeoCult esteve presente no dia de sábado (11/10) e realizou a cobertura do evento desde o pré show até o encerramento, coletando informações sobre os dias anteriores e observando os acertos e erros da produção. E, claro, você ficará sabendo de tudo nessa reportagem!

Pré-Show da BGS: Apresentação de convidados especiais para o público geral

Pré-show contou com dinâmicas e convidados ilustres /reprodução/arquivo pessoal

O pré-show ficou marcado pela cerimônia de abertura, que apresentou as atrações internacionais mais importantes de meet & greet do dia: Naoki Hamaguchi (programador e diretor de videogame) conhecido pelo excelente trabalho em Final Fantasy VII Rebirth; Yoko Shimomura (compositora de trilhas sonoras), que possui diversos trabalhos de impacto no ramo musical dentro do universo gamer; Hiroshi Nagaki, produtor de Double Dragon Revive; Hideyuki Ambe, diretor de desenvolvimento da Arc System Works e, por último, a grande atração de sábado: Hideo Kojima (diretor e dono da Kojima Productions) que estava presente para promover seu mais recente jogo: Death Stranding 2: On The Beach.

Durante a cerimônia, houve quizzes e desafios com o público que chegou mais cedo para aproveitar o evento, além da apresentação de um discurso ressaltando o companheirismo, celebração e novidades entre a comunidade presente na cerimônia antes da contagem regressiva.

Portões se abriram para o público depois de Hideo Kojima ter cortado a faixa /reprodução/arquivo pessoal

A feira ganha vida: o início oficial da Brasil Game Show

A partir das 13h, as grandes cortinas que serviam como portão para o evento se abriram, levando o público ao delírio. Todos estavam mais que prontos para adentrar os corredores e aproveitar a variedade de atividades e dinâmicas da cultura geek que a feira de games tinha para oferecer.

Na entrada principal, conseguimos ver de cara dois expositores importantes para a comunidade gamer: pelo lado direito, tivemos a Pokémon Company, marca estreante na BGS, que apresentou um novo conteúdo para o jogo que lançará no dia 16 de outubro, o Pokémon Legends Z-A. O que a empresa planejou para os treinadores é a temática “Experiência Megaevolução”; nela, os jogadores aprenderam a mega evoluir seus pokémons, participando de várias atividades interativas, além de terem conhecido muito mais sobre o futuro game e sua expansão: Pokémon TCG: Mega Evolução. 

Estrutura do estande contou com uma pokébola gigante /reprodução/arquivo pessoal

Já no lado esquerdo, observamos o estande principal da SEGA, que trouxe o jogo Sonic Racing: CrossWorlds, lançado no dia 25 de setembro para as plataformas: Xbox Series X e Series S, Playstation 5, Playstation 4, Microsoft Windows e Nintendo Switch. 

Dentro do espaço promocional, a SEGA disponibilizou vários controles para que os fãs tivessem sua primeira experiência com o novo game de corrida da saga, além de terem a oportunidade de tirar uma foto dentro da réplica do carro usado pelo protagonista da série, Sonic. As filas estavam cheias de gamers de todas as idades e gerações, com crianças, jovens e adultos que são fãs do ouriço azul e seus amigos.

O estande da SEGA apresentou cores vibrantes em neon /reprodução/arquivo pessoal

Andando no centro da convenção, o NeoCult registrou o segundo maior estande da feira, que era da icônica Nintendo. Ela não se destacou somente pela ambientação extremamente colorida, mas também por promover seu mais novo console, o Nintendo Switch 2, que foi lançado no dia 5 de junho de 2025. 

A Nintendo teve o segundo maior estande da feira /reprodução/arquivo pessoal

Na parte interna, vários jogos foram disponibilizados para testes no console, e dentre os principais, temos os que ainda serão lançados, como Super Mario Party Jamboree – que estará disponível no dia 17 de outubro – e o game de corrida Kirby Air Riders – que será lançado no dia 20 de novembro de 2025.

Já os outros jogos que receberam sua versão para o Switch 2 são: Super Mario Galaxy, Super Mario Galaxy 2, The Legend of Zelda: Breath of the Wild, The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom (com ambos recebendo pacotes de melhoria) e o game lançado em julho desde ano, 2025, Donkey Kong Bananza. Por último, o famoso jogo de dança, Just Dance, da Ubisoft, também marcou presença no espaço e estará disponível com uma edição atualizada, com novas músicas e coreografias para as pessoas se divertirem ainda mais.

The Legend Of Zelda Breath of the Wild e sua continuação tiveram pacotes de melhoria /reprodução/arquivo pessoal

A região noroeste do Distrito ficou marcada pelo maior estande da Brasil Games Show, o gigantesco palco do game mobile Brawl Starts, da Supercell. A desenvolvedora finlandesa veio em peso na edição deste ano da BGS, com outras áreas expositivas menores do Clash Royale e do próprio Brawl Stars – este, com brindes e acessórios do jogo.

Relacionado ao grande palco de Brawl Stars, a organização preparou três arquibancadas, uma pelo lado esquerdo, outra ao meio e uma à direita, além de cadeiras na parte central, próximas ao palco, tudo isso para que os fãs pudessem assistir à competição Last Chance Qualifiers (LCQ) de diferentes ângulos e torcer tanto por equipes brasileiras quanto por equipes estrangeiras. 

O campeonato reuniu 16 equipes de diferentes regiões do mundo, e as quatro melhores garantiram a vaga no Brawl Stars World Finals. As batalhas aconteceram em uma arena impressionante, com mais de 5 mil m², esta que foi decretada como a maior área já ocupada por uma marca na história da BGS. 

O estande de Brawl Stars teve o maior palco da história do evento /reprodução/arquivo pessoal

Além dos palcos, a parte da frente do estande foi separada em duas vertentes: na região da esquerda, foi construído um mini-game que simulava duas traves e alguns obstáculos, atrapalhando a tentativa dos fãs de acertar a bola dentro do gol. Para aqueles que conseguissem, como recompensa, iriam ganhar prêmios relacionados ao game. Já na parte da direita, haviam outras atividades, sendo uma delas em parceria com a famosa equipe de games mobile, LOUD. 

À esquerda da SEGA, tivemos o espaço do game, lançado em 2 de outubro de 2025, Ghost of Yōtei – a “sequência espiritual” de Ghost of Tsushima. O expositor foi organizado para o teste do jogo no Playstation 5, entretanto, o engajamento não foi tão grande em comparação ao de marcas concorrentes, mesmo com o sucesso do primeiro jogo da franquia. 

Muitas pessoas estiveram empolgadas para jogar Ghost of Yōtei /reprodução/arquivo pessoal

Próximo a região central da Brasil Game Show, havia acesso ao estande da icônica saga dos games de terror, Resident Evil. Nela, aguardamos ansiosamente para jogar o novo game mobile da franquia, o Resident Evil: Survival Unit, que também teve a colaboração do designer Yoshikata Amano. Para aqueles que chegaram antes, os fãs da desenvolvedora japonesa, Capcom, ganharam adesivos relacionados aos jogos e os personagens da saga. 

Seis celulares estavam disponíveis para o teste; no auge do evento, durante o início da tarde, a fila estava em torno de 1h30min! A avaliação do game foi disponibilizada através de uma demo, que pôde ser zerada em cerca 15 minutos ou menos.

Vários fãs de Resident Evil ganharam figurinhas como recompensa por testar o game /reprodução/arquivo pessoal

Nem tudo são flores…

Os estandes e palcos estavam realmente belos, com vários games para jogar e muitas lojas para comprar lembranças dos dias de BGS. Entretanto, nem tudo ocorreu como planejado.

Erros de organização marcaram negativamente esta edição da convenção, principalmente se tratando de meet & greet, o que acabou tornando a experiência geral muito decepcionante e frustrante para as pessoas que vieram de longe conhecer seus ídolos da cultura geek.

Não é novidade que Hideo Kojima foi a grande atração da tarde de sábado; durante seu encontro com os fãs no palco da TCL ao final da tarde, a fila para tirar uma foto com o diretor de games estava imensa, dificultando até mesmo a locomoção entre os estandes que estavam próximos a multidão.

Meet&greet do Kojima lotado/reprodução/arquivo pessoal

Entretanto, a maioria das pessoas na fila sequer conseguiu chegar perto de Kojima, já que o evento disponibilizou pulseiras para o encontro durante a parte da manhã, antes da abertura dos portões, e muitos não conseguiram o “passe” para a atração principal do dia. A quantidade de visitantes na fila que estavam sem pulseira era enorme, e a produção da BGS não fez questão de avisá-los que não seria possível a participação na sessão de fotos. Muitos passaram horas esperando, sem ao menos saber que houve distribuição de senhas antes da feira de games começar.

É estranho como a produção subestimou a capacidade de Kojima em atrair o público para o Distrito Anhembi, afinal, se o diretor de Death Stranding foi o ponto de destaque, era esperada uma organização melhor da Brasil Game Show em relação aos seus compromissos durante a convenção.

Todos esses problemas, claro, deixaram o público geral extremamente irritado, causando péssima repercussão nas redes sociais:

Não só isso, houve relatos de descaso completo com os cosplayers, que tanto ajudam a divulgar e vender ingressos para a BGS. O número de participantes caracterizados que conseguiram a credencial foi enorme, mas a estrutura presente na área não condizia com isso. O camarim era minúsculo, a internet, tão importante para promover o trabalho dos cosplayers – e, automaticamente, da própria convenção – não funcionava da forma ideal e o calor dentro do Distrito era fervoroso.

Cosplayers indo em direção ao palco da competição de cosplays/reprodução/arquivo pessoal

A chegada e a saída do local também foram conturbadas, principalmente se tratando do ônibus gratuito que levava o público para a estação Portuguesa-Tietê. Na saída, havia duas filas: uma destinada ao público geral e outra exclusiva para PCD (Pessoa Com Deficiência). Entretanto, não havia sinalização e funcionários o suficiente para informar a fila correta a seguir, fazendo com que muitas pessoas entrassem na fila preferencial por engano – ou, se aproveitando da situação. A falta de funcionários, inclusive, foi um grande problema durante todo o evento. Era difícil ver alguém com o colete da BGS dentro do local, causando uma grande dificuldade para o público pedir informações que afetariam sua experiência durante o dia.  

Movimentar-se durante a feira foi um grande desafio para quem estava nos espaços promocionais mais ao centro, especialmente nos da Nintendo, TCL e Path Of Exile. Claramente, deu pra perceber que a quantidade de ingressos vendidos foi maior do que o Distrito Anhembi poderia suportar para uma boa locomoção; na Gamescom, realizada no mesmo local, a circulação entre as áreas expositivas estava muito melhor, ainda que o espaço também estivesse cheio.

Os estandes belos e chamativos infelizmente não conseguiram ofuscar a má produção do maior evento de games da América Latina. Se tratando de atrações, estávamos muito bem servidos – ainda que marcas importantes como YouTube e Xbox não tenham vindo esse ano – mas a organização falhou em pontos cruciais com o público. A torcida é que, em 2026, a produção consiga corrigir seus erros e recuperar sua reputação perante a comunidade geek.