A nova fase dos quadrinhos reimagina a mitologia do Cabeça de Teia.
Em 2023, a Marvel Comics anunciou uma nova série de quadrinhos com o mesmo nome de uma linha publicada no começo da década de 2000: Marvel Ultimate. Assim como na primeira vez, o selo reconta a origem de super-heróis conhecidos, com algumas alterações, buscando alcançar um novo público; porém, as semelhanças param por aí.
Todo mundo já ouviu falar de Peter Parker, um adolescente desajustado que mora com os tios e é picado por uma aranha radioativa que lhe dá poderes. No começo, ele quer utilizar as novas habilidades para benefício próprio, mas, ao ver o seu tio ser assassinado, aprende que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” e, assim, assume a identidade de Homem-Aranha para combater o crime.
Essa história, que está nos quadrinhos há mais de 60 anos, já foi adaptada para os cinemas em três oportunidades, nos inúmeros desenhos animados e no excelente jogo de PlayStation 4, ganhou mais uma interpretação.
Se o universo Ultimate dos anos 2000, escrito por Brian Michael Bendis, era tratado muito mais como um reboot, recontando a origem do “Amigão da Vizinhança” de forma clássica, com pequenas modificações na mitologia apresentada anteriormente (nesta versão, Venom não é um alienígena, mas sim uma roupa criada em laboratório), Jonathan Hickman fez mudanças drásticas.
Novos ares
Durante a minissérie Invasão Suprema, o Criador, variante maligna do Senhor Fantástico, viaja para um universo semelhante à Terra-616, continuidade principal da Marvel, e, utilizando uma máquina do tempo, altera eventos importantes da editora, impedindo o surgimento de diversos super-heróis, para que assim possa moldar o mundo à sua imagem.

Nessa nova realidade, em Ultimate Homem Aranha #1, conhecemos um Peter Parker de 35 anos que nunca se tornou um super-herói. O personagem cresceu, se casou com Mary Jane, teve dois filhos, Richard e May, e, ao invés de tirar fotos de si mesmo para vender ao Jornal, Clarim Diário, trabalha como repórter junto de J. Jonah Jameson e seu tio, Ben.
Apesar da vida tranquila, comparada à sua contraparte “original”, Peter sempre pensou que algo de errado estava acontecendo em sua vida e ansiava por uma maneira de mudá-la.
Como forma de consertar as mudanças feitas, Tony Stark, aqui chamado de “Rapaz de Ferro”, recupera a aranha radioativa e entrega a Peter, junto de um traje tecnológico e uma mensagem pré-gravada explicando a sua importância na missão contra o Criador.
No começo, ele hesita, mas, após conversar com Mary Jane e Tio Ben, decide aceitar seu destino e deixa a aranha picá-lo, tornando-se o super-herói que conhecemos.
A atualização perfeita

Apesar de ser um dos maiores ícones da cultura pop, o Homem-Aranha sofreu nas mãos dos roteiristas.
Donny Cates, originalmente cotado para escrever a história, confirmou que a Marvel, temendo perder a base jovem de leitores do Teioso, não deixa o Homem-Aranha amadurecer. Um grande exemplo dessa decisão da editora está no arco “Mais um dia”.
Na história, como consequência dos eventos em guerra civil, onde o “cabeça de teia” precisou revelar sua identidade secreta, sua tia foi atacada e, para salvá-la, fez acordo com um demônio; porém, seu casamento com Mary Jane foi apagado no processo.
O grande mérito de Ultimate Homem-Aranha é finalmente mostrar a evolução do personagem que os fãs sempre pediram. Ao introduzir um Peter Parker maduro, que finalmente pôde amadurecer junto com o leitor, conciliando o casamento, os filhos e o trabalho enquanto salva a cidade, abre margem para novos conceitos e possibilidades nunca explorados.
O quadrinho é publicado mensalmente nos Estados Unidos, com roteiro de Jonathan Hickman e artes de Marco Checchetto. No Brasil, a distribuição fica por conta da Panini, com dois volumes lançados até o momento.

